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Meu perfil BRASIL, Sul, JOINVILLE, Mulher, de 15 a 19 anos |
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Tempos Modernos...
Vivemos em tempos de paz. Vivemos em tempo de
guerra. Vivemos ou tão somente sobrevivemos.
Presos em nossas próprias grades exteriores e
interiores. Agarrados a valores de uma colonização
após outra, num domínio cultural, emocional e
pessoal. Saímos das trevas da escravidão, para o
mundo da submissão: passiva, pacífica e até natural.
Fomos educados, ou quem sabe, amestrados, a
acreditar e aceitar valores, fórmulas e estilos, assim
somos aprisionados: sem sabermos ou sem
questionarmos. Tudo que é fácil flui. É complicado
pensar. É mais trabalhoso aceitar as rédias do destino
e arriscar. Temos medo de perder, de nos perder ou de
abrir novas trilhas. Assimilamos direitinho nossa lição
de casa: sigam as trilhas para ser feliz, se não for: um
bom analista dá jeito.
Enquanto isso, trabalhamos muito para pagar os
impostos, que cada vez mais altos vão onerando
nossas expectativas, vão dilacerando nossas chances e
tirando nossas esperanças e nossa cidadania. Não
cobramos nossos direitos, que vão sendo assim
retirados, roubados e perdidos. Pagamos altos
impostos para ter serviços de qualidade: saúde,
educação, segurança. E o que temos?
Na saúde: verdadeiros casos de maus tratos,
negligências e descaso. Pacientes que fogem dos
hospitais pela dor, medo e desespero. Falta de
manutenção dos equipamentos e prédios. Profissionais
maus preparados para a função. Falta amor aos
pacientes, o mesmo amor que salva e que cura muitas
enfermidades. O amor que traduz respeito,
paciência e profissionalismo.
Educação: muita propaganda e poucas verdades.
Vendem produtos e serviços de pouca qualidade.
Profissionais também pouco estimulados
profissionalmente e financeiramente. Programas
educacionais que começam e terminam a cada (des)
governo. Prédios, equipamentos defasados, obsoletos
e sem utilidade. Falta um programa educacional
que promova o pensamento, a criatividade e construa
personalidades que sejam inovadoras e investidoras,
que saibam correr riscos e buscar novas descobertas
e caminhos para a humanidade. Educação verdadeira
e libertária, como a do mestre Paulo Freire.
Segurança: que não se traduz em criação de leis que
promovam ou aumente a idade penal, pois isso é
consequência, temos que combater as causas. Criação
de prisões, são verdadeiros celeiros de gastos sem
nenhum retorno: não digo financeiro, pois dos males,
esse é o menor, mas da recondução e reeducação
desses personagens para a vida social. Temos que
pagar por fora por mais segurança e fazermos de
nossos lares, verdadeiras prisões: grades, cercas
elétricas, cães bravios e carros blindados. Policiais,
igualmente maus preparados para a função e que
sofrem alto níveis de stress, e a população no meio
disso tudo, como num fogo cruzado, sem saber para
que lado correr.
Em todos os setores existem bons e maus
profissinais. Ainda resiste uma chama em poucos
que não escurece nossas esperanças. Temos que
começar um novo presente se quisermos um futuro
melhor ou apenas um futuro. Temos que aprender a
viver de verdade e não apenas sobreviver. Temos que
arcar com nossas responsabilidades, sem preguiça,
sem medo ou acomodação. Não esperemos que as
mudanças venham de cima, uma casa se constrói pela
base. Precisamos de artistas, pensadores, construtores
e investidores. Precisamos apagar de nossas mentes a
submissão pacífica para sermos autores de nossos
pensamentos e de nossas vidas. Resgatar a auto-
estima perdida em algum lugar distante em nosso "eu".
Somos senhores dos nossos atos e de nossas vidas,
não devemos entregá-la ou desperdiçá-las. Vamos
lançar uma campanha? - "Dignidade e Cidadania já".
Em prol de um futuro menos obscuro, mais humano e
justo para todos.
Carlos Rodrigues Franco - 27 de janeiro de 2006
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