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Tempos Modernos...

 

Vivemos em tempos de paz. Vivemos em tempo de

guerra. Vivemos ou tão somente sobrevivemos.

Presos em nossas próprias grades exteriores e

interiores. Agarrados a valores de uma colonização

após outra, num domínio cultural, emocional e

pessoal. Saímos das trevas da escravidão, para o

mundo da submissão: passiva, pacífica e até natural.

Fomos educados, ou quem sabe, amestrados, a

acreditar e aceitar valores, fórmulas e estilos, assim

somos aprisionados: sem sabermos ou sem

questionarmos. Tudo que é fácil flui. É complicado

pensar. É mais trabalhoso aceitar as rédias do destino

e arriscar. Temos medo de perder, de nos perder ou de

abrir novas trilhas. Assimilamos direitinho nossa lição

de casa: sigam as trilhas para ser feliz, se não for: um

bom analista dá jeito.

Enquanto isso, trabalhamos muito para pagar os

impostos, que cada vez mais altos vão onerando

nossas expectativas, vão dilacerando nossas chances e

tirando nossas esperanças e nossa cidadania. Não

cobramos nossos direitos, que vão sendo assim

retirados, roubados e perdidos. Pagamos altos

impostos para ter serviços de qualidade: saúde,

educação, segurança. E o que temos?

Na saúde: verdadeiros casos de maus tratos,

negligências e descaso. Pacientes que fogem dos

hospitais pela dor, medo e desespero. Falta de

manutenção dos equipamentos e prédios. Profissionais

maus preparados para a função. Falta amor aos

pacientes, o mesmo amor que salva e que cura muitas

enfermidades. O amor que traduz respeito,

paciência e profissionalismo.

Educação: muita propaganda e poucas verdades.

Vendem produtos e serviços de pouca qualidade.

Profissionais também pouco estimulados

profissionalmente e financeiramente. Programas

educacionais que começam e terminam a cada (des)

governo. Prédios, equipamentos defasados, obsoletos

e sem utilidade. Falta um programa educacional

que promova o pensamento, a criatividade e construa

personalidades que sejam inovadoras e investidoras,

que saibam correr riscos e buscar novas descobertas

e caminhos para a humanidade. Educação verdadeira

e libertária, como a do mestre Paulo Freire.

Segurança: que não se traduz em criação de leis que

promovam ou aumente a idade penal, pois isso é

consequência, temos que combater as causas. Criação

de prisões, são verdadeiros celeiros de gastos sem

nenhum retorno: não digo financeiro, pois dos males,

esse é o menor, mas da recondução e reeducação

desses personagens para a vida social. Temos que

pagar por fora por mais segurança e fazermos de

nossos lares, verdadeiras prisões: grades, cercas

elétricas, cães bravios e carros blindados. Policiais,

igualmente maus preparados para a função e que

sofrem alto níveis de stress, e a população no meio

disso tudo, como num fogo cruzado, sem saber para

que lado correr.

Em todos os setores existem bons e maus

profissinais. Ainda resiste uma chama em poucos

que não escurece nossas esperanças. Temos que

começar um novo presente se quisermos um futuro

melhor ou apenas um futuro. Temos que aprender a

viver de verdade e não apenas sobreviver. Temos que

arcar com nossas responsabilidades, sem preguiça,

sem medo ou acomodação. Não esperemos que as

mudanças venham de cima, uma casa se constrói pela

base. Precisamos de artistas, pensadores, construtores

e investidores. Precisamos apagar de nossas mentes a

submissão pacífica para sermos autores de nossos

pensamentos e de nossas vidas. Resgatar a auto-

estima perdida em algum lugar distante em nosso "eu".

Somos senhores dos nossos atos e de nossas vidas,

não devemos entregá-la ou desperdiçá-las. Vamos

lançar uma campanha? - "Dignidade e Cidadania já".

Em prol de um futuro menos obscuro, mais humano e

justo para todos.

 

Carlos Rodrigues Franco - 27 de janeiro de 2006  

 



- Postado por: Carlos às 11h57
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