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Lemá sabachtáni?

Grito, mas é um grito mudo... um grito que ninguém ouve... Tudo que me restou foi a escuridão... Um vazio muito grande e uma dor que dilacera o meu corpo e a minha alma.

Sinto-me fraca, meus olhos doem, meus ossos doem... Qualquer movimento é penoso... Agora eu sei o que é se sentir um escravo preso em um navio negreiro... 

Eu fui abandonda mais uma vez... Mas desta vez está sendo muito pior, porque agora eu entendo, não sou mais uma criança... Agora me falta o chão, tudo perdeu o sentido...

A dor que esse abandono me causou se tornou um carrasco a me torturar...  Eu quero fugir e não posso, eu quero respirar e não consigo, eu grito mas ninguém ouve... 

Tudo que me restou foi uma grande dor, um vazio, medo e muita escuridão...  Eu já me sinto dilacerada por dentro, mas hoje é apenas o segundo dia dessa tortura... 

Quantos dias vão ser?????? Meses????? Talvez anos?????

Eu não vou suportar tanta dor, Deus tem que me ouvir, tem que estender Suas mãos e me tirar dessa prisão...

No horizonte começam a surgir os primeiros raios do amanhecer, mas o calor desses raios não conseguem penetrar ou aquecer o breu que se tornou a minha vida... a minha alma...

Lá fora mais um dia que começa... Mas aqui dentro é apenas mais um dia de tortura que se incia...

Não existem mais esperanças... Acabaram-se os sonhos...

Até quando meu Deus???

O meu coração ainda bate, eu ainda respiro... Mas a verdade é que eu já morri.

 

- Esse abandono conseguiu matar os meus sonhos e as minhas esperanças, mas ele não foi capaz de matar o amor que eu carrego comigo. O amor verdadeiro nunca morre, ele nos acompanha por toda a eternidade, por onde quer que a gente vá... Eu sempre vou te amar mais que tudo! Deus lhe abençoe e proteja sempre... Obrigada por tudo! Com carinho...

 

Tais Melissa Leite, 05 de Setembro de 2008 - 05:27 da manhã

 



- Postado por: Tais Melissa às 20h37
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FLOR DO LÁCIO...

 

Parei o carro no sinal vermelho, alguns garotos faziam malabarismos em pleno centro urbano, na tentativa de ganhar alguns trocados, geralmente, disputadas moedas, que vão sendo acumuladas em longos processos de compras. Dou uma ajeitada no retrovisor e confiro a mensagem no celular. “Chiclet, bala, água” me pergunta um jovenzinho. Sorrio e respondo “água”, ele corre na caixa e pega uma garrafinha “dois real”. “Tá caro”, mas junto as moedas e lhe entrego e antes que possa conferir, o sinal abre e alguém impaciente buzina, só ouço ao longe: “brigadu”. E nem me dou ao luxo de ressuscitar a língua materna.

Na escola, entre uma buzina e outra repenso na cena e volto no tempo. Sim, muito tempo atrás, quando a nossa língua era o Latim: oficial (nobres, clero, etc.) e vulgar (soldados, comerciantes, povo, etc.). Um falado pela elite e outro pela população em geral. E da disseminação e transformação de uma e morte da outra surgiu a nossa língua. Vivemos, em nosso tempo, algo parecido e só o tempo vai trazer essas respostas e a nova língua que virá: nem melhor ou pior, mas a que souber transitar e for efetiva.

Mas, vejo nas ruas, escolas e em vários ambientes que a língua também é política. Exerce preconceito e faz marginalizações e esquecemos que a história do Lácio se repete e nada detém a marcha da verdadeira história. Roma (Lácio) e a sua língua dominaram boa parte do mundo e nem por isso sobreviveram... A língua transformou-se e assim tivemos o privilégio de parte dessa herança: última flor do Lácio, que ainda hoje encanta, canta e fascina.

Vivemos tempos de mudanças sociais, econômicas, políticas e, mais do que nunca, devemos nos ater ao fato de que a verdadeira colonização se dá pela língua, pela cultura. Sendo assim, favorecer e fomentá-las é criar uma sociedade mais justa, humana e criativa. Trabalhar “com” e não “contra” e, principalmente, não ressuscitar a pureza original, pois se temos tantas belezas, foram resultado da mistura e miscigenação, da transformação.

Não prego o desconhecimento da língua, mas a aceitação da criatividade, da organização de pensamentos, na elaboração de sonhos e de justiça, e a língua, como detentora de poder e transformação, exerce um papel fundamental nisso tudo e cabe, a cada um de nós, transformar essa realidade. Sabe por quê? Porque há um futuro melhor para nossas crianças, jovens... Um futuro muito além do lucro momentâneo ou mensalões, um futuro, onde cada um possua voz e não seja necessário falar por outrem e deixar o destino em letras anônimas que se apossaram de nós, para benefícios próprios.

Acaba minha janela, volto para a sala de aula, onde 40 ou 50 jovens, mal sabem porque estão ali.... Talvez eles nunca venham a saber, nem saibam que poderiam estar na rua ou cruzamentos da vida, querem apenas o novo sinal para irem para suas casas e jogarem os cadernos num canto e entrarem na internet para jogar ou bater papos virtuais. São jovens, eu sei.... Mas até quando? Serão jovens até que se descubram velhos, pois o tempo, agora mais do que nunca, corre depressa demais. A língua, nisso tudo: já vem enlatada, pronta para consumo.

 

Carlos Rodrigues Franco - Sábado, 25 de Março de 2.006



- Postado por: Carlos às 18h44
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