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HISTÓRIAS DE UM LAVRADOR...

 

Lavrador, s.m. Aquele que trabalha na lavoura; agricultor; o que possui terras lavradias; dono de salinas. (Dicionário Brasileiro Globo).

Meu pai é um lavrador: nasceu assim. Algumas profissões nascem com a pessoa e passam de pai para filho, de geração a geração, infinitamente. Hoje, ele está alquebrado pela idade, pela dura lida de anos a fio: sol ou chuva, invernos a verões. Tem as mãos calejadas, a tez morena e passos trôpegos, mas ainda no olhar o mesmo amor, maior ardor pela terra. Terra que sempre cultivou com seu amor e suor, com seu carinho e paciência, tirando dali o sustento físico e emocional de toda uma família. O lavrador aprende a ler, no tempo e nas estações, a fase certa de cada cultura, aprende a defender a terra e seus produtos de pragas e aprende a multiplicar os frutos plantados, regados com sabedoria e amor. Os anos nisso tudo: apenas aperfeiçoamento, de cada cultura, de cada plantação.
Aprendi com ele, o amor à terra cultivada, ao verde das plantações e a descobrir as diferentes tonalidades de cada cultura, de cada estação. Aprendi a amá-lo, respeitá-lo e a criar, como ele, novos caminhos: novas culturas em diferentes solos. Sou aprendiz de lavrador, mas de letras. Letras que saem de meus dedos, se misturam em meus olhos, são aguadas com meus sentimentos e leituras do mundo e vão sendo semeadas sobre o papel ou sobre a tela desse micro, que são solos férteis onde, aconchegadas neste ventre escuro, jazem como mortas, até que a luz dos olhos do leitor venha pousar suavemente sobre essas palavras que vão, assim, brotando em suas mentes, produzindo frutos que vão sendo devorados: uns suavemente, outros mais afoitos. Mas seguem seu destino: alimentando almas e produzindo novas sementes, que vão povoar e alimentar toda a terra.
Sou apenas um aprendiz de lavrador, assim como é meu pai: um lavra a terra e produz alimentos para o corpo, outro lavra palavras e sentimentos, lê o mundo e alimenta a alma. Ambos igualmente necessários, nenhum melhor ou com menos valor, pois, tudo que é feito com amor, respeito, responsabilidade, leva ao crescimento e a um mundo melhor.
Por que essa explicação? Estou começando aqui, semanalmente, nas segundas feiras, uma coluna, digo, uma plantação. A cada semana uma cultura diferente, pois em diferentes estações, diferentes semeaduras. Conto com a participação dos leitores, com dicas e sugestões, elogios e críticas, para melhorar a cada dia as plantações deste humilde lavrador: sem terra, mas com garra e sonho, pronto para começar uma nova colheita para um mundo sempre novo, mais justo e produtivo, onde não falte nenhum alimento: para o corpo e para a alma. Pois, somos o sal do mundo, e o sal dá sabor ou realça a vida. Vamos sonhar juntos?! Pois “sonhos, quando sonhados em grupo, são realidade”. Vamos começar agora?!

Carlos Rodrigues Franco - terça-feira, 06 de abril de 2006. 20:01min.



- Postado por: Tais Melissa às 10h33
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