84 dias...
Muito além do sinal Numa bela noite de verão de 2009, na escola onde trabalho há tanto tempo que me perco na história ou no tempo, pois nela também estudei desde criança, e onde me pego várias vezes, viajando no tempo, voltando aos bons tempos da infância, das brincadeiras, dos aprendizados e das grandes amizades, aconteceu o fato que vou lhes contar... Sou saudosista por natureza, assim Deus me fez, da mesma matéria de todos, porém ao assoprar sobre essa argila, ele estava sonhando muito e sonhador me fiz e lavrador de searas, onde as letras permutam as palavras e a realidade. Bem, na verdade, o que aconteceu não era novidade de fato; acontece todos as anos, assim como as enchentes de verão, os mosquitos e o calor além do normal, os alunos insistem, apesar das regras, leis e imposições na infração de algumas normas sociais escolares. Entre elas, o uso do uniforme, de bonés, gorros, desrespeito aos horários, etc. Eu sempre acreditei que a Educação é a solução para todos os males da humanidade e a fonte de todas as riquezas materiais ou não. E também sempre acreditei que todos os profissionais da educação numa escola (desde o auxiliar de serviços gerais, professores, bibliotecária, supervisores, orientadores, eventuais, secretários, vice e diretores) têm papel igualmente importante na formação do caráter e do crescimento de todos os alunos e envolvidos neste processo multidisciplinar educacional. Mas enfim, o fato que agora narro me desmoronou em mim ou caiu como uma bomba em alguns conceitos que achava indestrutíveis. Naquela noite, alguns alunos tentavam em vão entrar pela porta da secretaria, após o fechamento do portão, e alunos em grupo fazem algazarra, barulho, enchem a secretaria, antes tão tranqüila para o exercício da função, de um alarido que não permite o trabalho normal, mas faz parte. Alguns tentam por todos os meios: “perdi o ônibus”, “foi apenas dois minutos”, “eu trabalho, quem trabalha não pode estudar?”, “Eu quero assistir aulas, vocês não deixam”, “Chama o diretor, o vice, a supervisora, etc”, “entrega isso para mim na sala”, “Deixa eu entrar, só hoje”, “eu nunca me atrasei, só hoje” e outras frases de impacto, onde só muda a data, os dias, horários e pessoas (todos os anos). Uns ligam para a mãe, pai, avó, pastor e padre, outros até para benzedores de plantão, tudo para, enfim, conseguirem a chance de adentrar os portões da escola, para pouco depois pedirem para sair. Neste intervalo, eles perdem a chance de aprenderem, não só os conteúdos escolares, mas a educação e a prática de bons hábitos sociais, quando, não muito, ajudados por mães e pais inseguros. Num dia desses, uma mãe zangada reclamava que o filho não tinha entrado e que a secretária estava nervosa, era mal educada e que tinha falado para o menino dela mudar de escola, que iria reclamar. Eu, que ouvia toda a história, pois tinha entrado para terminar um serviço para a diretora, procurei não me envolver na história até o ponto em que não dava mais para deixar opinar sobre aquele preconceito todo que ela derramava ali, naquela sala. Olhei-a e esperei pela brecha e lhe perguntei o que havia acontecido, pois conhecia a secretária e sabia que ela não era mal educada e que tinha educação e boa referências no seu serviço e na sua função. E ela disse que a secretária tinha dito para o filho dela mudar de escola se não conseguisse chegar no horário e ela estava chocada com essa intromissão de uma simples secretaria. Eu lhe disse que eu mesmo falaria a mesma coisa se o aluno me falasse que não consegue chegar no horário da escola por qualquer motivos que fosse e antes que ele fosse reprovado por isso, que mudasse mesmo e lhe perguntei que se ela trabalhasse ali e o aluno falasse isso, o que ela aconselharia? Ela retrucou que nós ,da direção, vice-direção podemos chamar a atenção dos alunos, mas uma secretária não. Eu lhe disse que não era dali, que meu lugar era na secretaria, mas acho que ela não entendeu ou não quis entender. Ela iria na Superintendência reclamar a atitude da secretaria e onde mais fosse possível ela ir. Pensei no que ela fazia ao filho dela desculpando-o desse jeito, mas enfim.....Já imaginou se ela perguntasse o que eu era ali na escola e eu tivesse que responder que era apenas um auxiliar de serviços gerais, que limpo as salas de aulas, corredores, pátios e banheiros que os estudantes teimam em sujar, depredar, quebrar e que estava ali para prestar um serviço para a diretora? Foi pensando nisso que resolvi escrever este texto: preconceito e falta de educação e muito mimo fazem mal a todos. Pena que isso já esteja permeado em todas as camadas profissionais e da sociedade. A escola é apenas um reflexo do mundo ali fora. Assim, toda noite ao sair da escola sinto uma calafrio percorrer-me a alma. Para onde caminha a humanidade? Carlos Rodrigues Franco - sábado, 14 de março de 2009. 21 hs 34 min
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Tais Melissa às 19h04
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78 dias...
Hoje a minha dor é tão intensa, que acho que alegria é uma doença e a tristeza minha única saúde... 
Tenho em mim uma grande dor... Não sou rocha... às vezes acho que sou solo arenoso, onde todo o amor plantado não vinga, onde as esperanças se frustram, onde os sonhos se perdem, onde a solidão parece ser eterna... Assim sou... (Desconheço a autoria da frase, mas ela parece ter sido feita para mim)
Estou triste e minha alma chora, meu coração está magoado por sentir-se abandonado. Eu me sinto como uma flor que precisa de ser regada, mas que foi esquecida num canto qualquer… Como um arco-íris que perdeu as cores ou como um palhaço que não consegue sorrir. Eli, Eli Lemá sabachtáni? 
- Postado por:
Tais Melissa às 12h37
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