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Filhos...
Existem filhos que não sabemos ter. São filhos que a vida nos traz de presente. Estes podem ser, mesmo, filhos, pais, avós, sobrinhos, netos ou até mesmo não ter nenhuma consangüinidade, mas aprendemos reconhecê-los pelo olhar, pelos gestos e por tantos outros sentimentos que experimentamos e que vamos aprendendo também a cada dia no sagrado oficio da paternidade ou maternidade.
Mas não devemos dizer que tudo são flores e beleza, pois só o tempo e a idade vão trazer a experiência, a paciência e outras tantas “ias” que podem vir rimadas com filosofia, sociologia, psicologia, etc. e assim, sem faculdade ou escola que nos ensine, vamos vivendo e redescobrindo a cada minuto, hora ou dia um novo sabor ou experiência, sendo que a maior delas é o próprio amor.
O amor! Aquele que nos faz brilhar os olhos de emoção a cada vitória conquistada. Que molha nossos olhos de orgulho a cada vitória, por pequena que seja e que nos faz tremer ante qualquer dor ou medo que percebemos em nosso ser amado. Passamos a viver dias permeados de luzes, cores e também de frio e inconstâncias, mas gratificados a cada noite pelo doce beijo, pelas mãos dadas, pelo apoiar nos caminhos tortos da vida.
Existem filhos que não sabem ser filhos e nem ser pais. Não exercitam o amor em sua plenitude e graça e vivem suas vidas sem sentir o doce cheiro do sorriso que vem da alma, das lágrimas que molham faces ou da simplicidade dos carinhos que nada pedem em troca e do silêncio dos olhares que tudo dizem, tão profundamente, que apenas as almas escutam.
São tantos filhos e filhas que vamos arrecadando nos caminhos de nossas vidas, e seremos nós também filhos de outros pais e também não sabemos. Mas não importa muito reconhecer esse estado de graça em que somos envolvidos, devemos apenas aceitá-los e fazer nossa parte. O amor é nosso fim e destino. Também somos filhos de um ser muito maior, que teve seu filho também por saber do valor de cada estado de graça e assim misturados nesse barro, onde formos forjados e moldados, seremos queimados nos fornos do amor, para enfim, tomarmos o formato definitivo e alados num plano muito maior que o melhor e maior de nossos sonhos, onde filhos e pais se unem num só corpo e num só estado: o da graça do amor e nada mais.
Carlos Rodrigues Franco – domingo, 2 de setembro de 2007 – 10h 38min.
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