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MOTOQUEIROS TÊM MÃE?
Existem milhares de motoqueiros que cruzam as ruas e avenidas de nossas cidades e do mundo, quem não os conhece? Vão sempre correndo, como se fossem “perder o trem”, com seus capacetes na cabeça ou passeando de moto no braço de algum mais indisciplinado. E quem nunca teve algum problema com estes seres, que mais parecem ter saído de uma nave espacial, ainda mais em dias chuvosos e úmidos.
Pergunto-me algumas vezes: Será que eles têm uma mãe? Pergunto com razão, pois tenho a minha que cuido com muito cuidado e mimo, ela já passou dos setenta, e está nova, mas a diabetes judiou demais de seu corpo: coração, visão, rins, pernas, etc. E tenho o maior cuidado para que ela não saia sozinha, pois está acima do peso, por causa do hipertireoidismo, também graças a diabetes, e como suas pernas já não possuem o vigor da juventude e da saúde, como ela mesma muitas vezes me conta: de suas longas caminhadas da cidade à roça, de suas viagens de cavalo, de carroça e de tantas coisas que já fez e não pode mais fazer, que me ponho a imaginá-la, o quão bela e forte já foi, pois nas raras fotos que possui, isso é um fato e cismo em admirá-la, mas agora, suas pernas já não suportam o peso da idade e dos anos e frágeis fraquejam, às vezes, resultando em algumas quedas, que machucam suas carnes, seus ossos e também seus brios, quem não os têm?
Dias destes, um motoqueiro quase nos atropela numa faixa de pedestres, pois aparecem de uma curva, de um sinal aberto, correndo desesperados, e como não foi nem uma, duas ou três vezes, isso comigo, pois assim posso segurá-la e ampará-la, começo a pensar nas vezes, em que ela, para não “me dar trabalho”, sai escondida, ou quando estou trabalhando e sai sozinha, por essas ruas movimentadas e cheias de carros e motos, que vão desesperados, correndo em busca de “não-sei-o-quê”, derrubando e matando pessoas, que muitas vezes não têm como se defender. Correndo, muitas vezes, sem saber que o mundo pode viver sem eles, que o dia de amanhã nem sempre virá, que haverá sempre coisas para serem feitas, urgentes e que a vida de qualquer pessoa é mais importante de tudo. Para que tanta correria, sem olhar o semelhante, seu rosto, seus medos, suas fraquezas, sem oferecer um sorriso, uma palavra amiga. Não há nada que justifique tanta frieza, tanta mesquinhez, tanta insensibilidade perante a vida.
Gostaria de deixar essa pergunta, na qual fiz o título desse texto, pois penso que se eles tivessem uma mãe, não fariam tantas bobagens, aprenderiam a respeitar sinais de transito, sinais da vida, sinais das pessoas. Aprenderiam que a vida não é longa e nem curta e tem que ser vivida de forma intensa, ardente, mas sem correria. O tempo passa diferente em cada fase de nossa vida, e quanto mais velhos ficamos, mais depressa o tempo nos escorre pelos dedos e não podemos segurá-lo. Podemos ter, muitos menos acidentes, mais vida e mais amigos se soubermos respeitar o próximo, respeitar as leis e usar coerência e amor em nossas vidas. Se eles possuem uma mãe, para que correm tanto, tirando a saúde ou a vida de muitas mães, pais ou filhos de pessoas que são seus irmãos perante a vida.
Sei, que fiz esse texto, pensando em alguém, que passou e me fez temer algo que não aconteceu, mas que acontece na vida de muitas pessoas, sei que esse “motoqueiro” do meu título, pode ser também: um motorista, um pedestre, um ciclista, um engenheiro, um diretor ou um simples empregado, não importa a função, só importa essa pressa: pressa da vida, pressa sem nome, sem lei, sem rodeio, sem lógica. A vida é curta, e devemos vivê-la da melhor forma possível, pois de material dela nada se leva, levamos apenas: o amor que plantamos, os sonhos que deixamos, o respeito e carinho dos que ficam e o amor que semeamos nos corações daqueles que viveram ou apenas passaram em nossas vidas, mesmo que seja por alguns momentos e nada mais.
Carlos Rodrigues Franco – 20/10/05 – 21:22’
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